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A Londres se vai a pé

Escrito por em 1 de março de 2016

 

Em uma das cidades mais cosmopolitas do mundo, esqueça seu salto alto, suas plataformas, suas sandálias douradas… Bom mesmo é estabilizar no tênis, vagar pelas suas sapatilhas, incorporar as botas de combate. Permitir aos pés, e assim aos seus olhos, que percebam as nuances históricas entre as construções modernas.

Londres é a capital da Inglaterra e do Reino Unido, e apesar de ainda ter uma família real como um de seus símbolos, você pode relaxar os calcanhares. Muito sabemos de seus famosos monumentos: o Palácio de Buckingham e sua balada de soldados. O London Eye que faz circular a silhueta da paisagem. Para os mais politizados, bem ao lado do Palácio de Westminster, o prédio do Parlamento Inglês. E logo ali fica o Big Ben, a marcar as horas te lembrando que, cedo ou tarde, vai precisar voltar pra casa.

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Para essas obrigações turísticas que toda cidade guarda, os pés ao chão são mais que úteis. Fica fácil usar o metrô – olha a famigerada logo vermelha de underground -, subir nos bondes, trocar por ônibus, ou até um táxi, se você estiver se sentindo exuberante (o hackney carriage é realmente uma gracinha).

Pausa para uma foto com as cabines telefônicas vermelhas – se estiver de tênis, você pode dar uns pulinhos e ganhar um registro em movimento.

Nem só de grandes construções vive uma rainha, se dê a oportunidade de encontrar jardins. O parque Kensington Gardens, antiga morada da rainha Victoria, hoje sustenta um perfeito paisagismo, com combinações tonais de flores que só podem inspirar.

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Londres tem oito parques da realeza

O Green Park, que já foi palco de duelos em outros séculos, deixa mais colorida a área central. Se ainda tiver fôlego, o Hyde Park e St. James’s Park estão por ali. Não se esqueça de um casaquinho, o clima pode ser tão temperamental quando o valor da libra.

Alongue as panturrilhas, depois tantos lugares abertos, é preciso entrar. Seguindo a Cromwell Road, encontramos os museus da Ciência e de História Natural, mas ande outra quadra. O Victoria & Albert Museum, maior museu de artes decorativas e design do mundo, guarda na sala 40, logo em sua entrada – cuidado com o degrau – a coleção de moda, joias e acessórios.

Viaje pelas texturas e silhuetas, que começam suntuosas nos anos 1900, mas logo perdem as armações para chegar a revolução da década de 1920, encurtam suas barras às minissaias de Mary Quant, se rebelam ao punk de Vivienne Westwood.

Independente da era, mantenha seus solados em dia.

Se quiser continuar pelas roupas do passado, o mercado de Brick Lane acomoda brechós vintage, onde se pode garimpar todo tipo de peça e acessórios. Nas suas 140 barracas, há muito artesanato e arte local, por isso desacelere o passo, os olhos precisam estar atentos a tesouros.

Ainda tem espaço pra sacolas em suas mãos? A bagagem não está pesada?

Siga o trajeto para Candem Town, onde Charles Dickens, Amy Winehouse e Morrissey passaram alguns de seus dias, bem como as pessoas mais interessantes de Londres. Encha os olhos com as vitrines e fachadas mais alternativas. Talvez faça uma tatuagem – eu fiz. Desça ao canal, pegue seu lanche na feira, e observe a água…  É preciso ficar sem movimento vez ou outra.

No fim do dia, escalde os pés.

Dois litros de água quente, um punhado de sal grosso, óleo essencial de lavanda e alecrim. Mantenha os tendões, ligamentos e cada dedo submersos por alguns minutos.

Reconte as histórias, até pra você mesmo, passo a passo – sem muitos tropeços, eu espero. Não esqueça das notas de rodapé.

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O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.
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