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The True Cost: preço baixo a base de trabalho escravo

Escrito por em 30 de novembro de 2015

Durante muito tempo, fui aquela pessoa que não se importava muito com a origem dos produtos que usava. Confesso que eu estava num estado de ignorância que me protegia. Me protegia de pensar e sentir coisas desagradáveis.

Enquanto, por um lado, a ‘ignorância é uma bênção’, lá do outro lado dessa cadeia isto estaria mais para maldição… Alimentada por mim.

Mãe e filho em trabalho forçado

Mãe e filho em trabalho forçado

Forbes Business, fev/15: “De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (International Labour Organization – ILO), existe mais de 20 milhões de trabalhadores escravos ao redor do mundo, hoje. E é possível que alguns deles trabalhem para você ou para seus fornecedores.”

A realidade caiu na minha cabeça como uma onda de culpa imensa. Não é segredo pra ninguém que comprar em sites que são tão baratos – com produtos a R$5,00 – é colaborar com o trabalho escravo em grande escala. O problema é quando você vê em imagens o que isso significa.

Imagem de divulgação do filme The True Cost

Imagem de divulgação do filme The True Cost

Documentários já abordaram o tema e é difícil digerir as informações. “The true cost” é um deles, e recomendo fortemente pra todo mundo, especialmente para as pessoas que acham melhor pagar barato “porque é melhor eles ganharem R$1,00 por dia do que não ganharem nada”.

É um filme que fala sobre a indústria de moda, mas pode facilmente ser replicado para qualquer objeto que venha por um preço muito mais baixo do que a soma ideal de todos os custos de produção.

Falando das diferenças desmedidas de preço, em que uma comparação de produtos semelhantes apresenta preços discrepantes, fica óbvio que uma dessas fabricações conta com trabalho escravo. Os motivos para tomar a decisão de pagar mais barato por um produto termina por ser muito egoísta.

Quando me faço essa pergunta ou dirijo a questão para pessoas próximas, não é difícil encontrar respostas baratas como “acho tão indecente pagar 75% de imposto quanto incentivar o trabalho escravo, então vou no produto que me tira menos dinheiro”.

Comparações incabíveis como essa são fruto de um consumismo sem limites, em que o ‘eu’ é sempre maior que o ‘outro’, quando esquecemos de compaixão e regras básicas de ética.

Trabalho escravo infantil

Trabalho escravo infantil

Há ainda um segundo caso, que é quando o produto final chega a um preço exorbitante, mesmo tendo sido fruto de mão-de-obra escrava. Neste caso, parte da cadeia de produção praticamente não tem lucro, enquanto a outra parte tem lucro de 100%, com valores maiores que 4 dígitos.

Além de vestuário e eletrônicos, outro exemplo é a indústria de diamantes: além de trabalho forçado, algumas regiões usam o dinheiro para financiar conflitos civis.

Apesar de muitos produtos serem difíceis de saber a origem, fabricação, etc, temos sempre o google para nos mostrar fábricas brasileiras que produzem o que queremos ou precisamos.

Vai pagar mais caro? Provavelmente. Mas deixamos de contribuir algo errado, incentivando nossa indústria nacional, que tanto precisa desses investimentos.

É uma das mudanças de hábitos mais saudáveis que podemos fazer.

postado por

Bruna Daniel, maquiadora, com muito orgulho e paixão que transborda! Considero a maquiagem minha arte, e nela, a pele é a minha tela. Cada rosto é único e meu trabalho é preservar tal individualidade. Levo novos conceitos de forma sutil e agradável para quem vê. Ando do neutro ao artístico, ressaltando que há de mais interessante para se ver. Meu trabalho é minha grande alegria e realização.
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