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#Conversarte: um panorama do audiovisual brasileiro

Escrito por em 26 de outubro de 2015

Por Jean Bris

No dia 15 de outubro, os consagrados cineastas Fernando Meirelles e Marcos Magalhães estiveram em Curitiba, para o encontro do #Conversarte, o evento promovido pela Montenegro Produções, que tem como característica unir artistas, a princípio distintos em determinada área, e iniciar um bate-papo entre eles e também com o público.

Com o teatro lotado, o público assistiu a um descontraído debate e diversas reflexões sobre o audiovisual nacional, tanto no que diz respeito ao cenário atual, como também projeções sobre o futuro, e com a devida propriedade: De um lado Fernando Meirelles, premiado internacionalmente com Cidade de Deus (indicado ao Oscar) e diretor de tantos outtros filmes e séries na última década; do outro lado Marcos Magalhães, animador responsável pelo festival Anima Mundi, premiado também por seus filmes de animação e criador de um dos personagens mais marcantes para a infância de muita gente: o ratinho cantor que tomava banho no Castelo Rá-Tim-Bum.

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Logo de cara, numa sinceridade espontânea, ao ser questionado pelos motivos do cinema argentino ser melhor sucedido que o brasileiro, Meirelles cravou: “O cinema argentino é simplesmente melhor”. Para o cineasta, os filmes argentinos são, acima de tudo, bem roteirizados, aspecto que ainda hoje possuí deficiências nas produções nacionais, e muitas dessas deficiências provindas da época do cinema novo: “Tinha aquela coisa do próprio diretor ser o autor. O problema era que o cara era um bom diretor, mas nem sempre era um bom roteirista.

Tanto para Meirelles quanto para Magalhães, outro fator que contribui para o alto desempenho do cinema argentino é o circuito de salas públicas, financiadas pelo governo. O Brasil tem produzido mais de 100 filmes por ano, e as salas de cinema não têm capacidade de absorver essa demanda, e a construção de novas salas, sobretudo por iniciativas do governo, seria uma solução. A iniciativa do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi citada como um exemplo – salas públicas construídas em regiões periféricas da cidade, levando cinema para pessoas com poucas condições de acesso, e criando janelas de exibição para longas não suportados pela rede exibidora privada, que por sinal está emparelhada com as grandes distribuidoras, excluindo filmes menores do circuito comercial. 

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Os novos formatos também foram pauta, tanto canais como youtube, quanto serviços de Video On Demand como a Netflix. Para Marcos Magalhães as novas tecnologias beneficiaram e muito as animações: “Agora o espectador tem uma infinidade de opções de formatos e tela, e pode ter acesso a um filme na palma da mão.  Antes era necessário a pessoa ir no cinema, e nem sempre as animações chegavam.”

O jovem de hoje não quer saber de ficar na frente de uma TV, esperando o seu programa passar” – diz Meirelles. “Ele quer assistir o que ele quiser, quando quiser e aonde quiser. Tanto que a Globo está lançando um serviço de streaming, a GLOBO PLAY, onde o usuário terá acesso a todo o conteúdo da Globo, a hora que quiser.”

No entanto, afirma Magalhães, toda a tecnologia ainda não supera a experiência de ver uma produção audiovisual nas telas dos cinemas: “No Anima Mundi muitos filmes que já são sucesso na rede  são selecionados. Mas a exibição no cinema traz uma reação nova: as pessoas saem discutindo o filme entre elas, e essa experiência coletiva tem se perdido porque as pessoas muitas vezes preferem assistir a um filme em casa.”

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Sobre os cursos de cinema ofertados no Brasil atualmente, ambos os diretores são otimistas. Tanto Meirelles quanto Magalhães, arquitetos de formação, enxergam uma boa gama de opções, muito mais do que havia no tempo em que eles começaram suas carreiras: “Arquitetura era o mais próximo que eu encontrei da animação, na época” – disse Marcos, que morou durante algum tempo em Los Angeles e teve contato com alunos de lá. O cineasta ressaltou a qualidade das produções dos alunos brasileiros e ainda relatou: “Eu via algumas produções de alunos em LA e pensava: nossa, que merda!

Já no fim do evento, provocado por um espectador e logo em seguida convidado a trazer o Anima Mundi para Curitiba,  Marcos Magalhães não hesitou em aceitar o convite, gerando uma fervorosa salva de palmas por parte dos espectadores presentes. Meirelles também finalizou com uma constatação em tom de brincadeira: “A gente fala de São Paulo,  Minas e já pula pro Rio Grande do Sul.  O Paraná precisa de nomes fortes que o representem. O problema é que vocês são um povo muito civilizado.” O mediador, por fim, requisitou uma salva de palmas para o diretor curitibano (de origem baiana) Aly Muritiba, que poucos dias antes havia tido seu filme, Para Minha Amada Morta, consagrado como o mais premiado no importante Festival de Brasília.

 

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