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Devagar é mais gostoso: o Slow Fashion vs. Fast Fashion

Escrito por em 10 de maio de 2015

A roupa que você comprou durante a primavera, claramente está ultrapassada com a chegada do verão. E não é pela mudança de temperatura, mas sim pela troca constante das araras.

Essa massificação da moda surgiu durante os anos 1990. O Fast (rápido, em inglês) Fashion fez as roupas ganharem caráter de indústria. Produções em larga escala, preços mais baixos, design contemporâneo e uma qualidade questionável são os ingredientes da receita. Elas não são feitas para durar, apenas para despertar o desejo. É como comer um chocolate baratinho apenas para ficar com ainda mais vontade de açúcar.

Tudo muda a cadas poucas semanas, e é esperado que tão logo a blusa do mês não esteja mais loja, corramos todos para adquirir sua substituta. Não, não tem nada surpreendente, mas é novo, logo, deve ser comprado. Sinto um extremo desespero ao entrar em uma grande loja e depois de encontrar uma peça ver suas outras mais duzentas cópias, esperando por mais duzentas eu. Não é a toa que algumas marcas de blusas de moletom são zombadamente chamadas de uniformes (Universidade GAP ou HOLLISTER ao seu dispor). A padronização é absurda.

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O Wally? Está em todos os lugares!

 

Não é uma questão de buscar exclusividade, mas aquilo não foi feito pra mim… não foi feito pra ninguém. Moda é identidade. Que representação uma roupa com tantas cópias tem? O Slow (devagar, em inglês) Fashion vem contra a maré. Defende a fabricação de roupas duráveis independente da estação, buscando atender a individualidade de cada consumidor, além de se atentar a uma produção com sustentabilidade integral (econômica e ambiental).

O Slow Fashion se enquadra mais como um movimento, do que como uma forma de produção. É se colocar como crítico do seu próprio consumo, pensando nas reais necessidades e nas formas de comprar sem agredir o que está a sua volta. Favorecer os artesãos que passam meses modelando suas roupas; seja no tricô, crochê ou outras artes manuais. Reaproveitar o cardigã da sua avó ou comprar uma peça em um brechó do seu bairro. Mas principalmente ir contra uma ditadura que lhe diz o que comprar e vestir, quando fazê-lo e onde.

Detesto fast fashion, como detesto fast food. Os dois são igualmente sem tempero, sem originalidade, buscando os fornecedores e mãos de obra mais baratos, além de consumidores
mais desatentos e com pressa.

Antes de mudar o guarda roupa, respire fundo, devagar é mais gostoso.

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O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.
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