[NOTA] Moda Compartilhada permite ao público carente escolher suas roupas

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Em outubro, se vista de criança

Escrito por em 9 de outubro de 2015

No auge dos meus 7 anos de idade pintei meu cabelo pela primeira vez. Mechas loiras mau distribuídas complementavam a ousadia de quem não tinha os dentes da frente – época de transformações, alguém diria.

O engraçado é que eu não me importava. Lógico, minha mãe estava ensandecida, as tias assustadas, as outras crianças talvez até rissem enquanto outras achavam legal. Mas eu estava me sentindo ótima, e duvido que em algum outro momento tenha me sentido tão livre pra me expressar.

E o que mais são nossas roupas e cabelos se não uma forma de expressar?

Marias para INK Models n' Arts (14)

Foto Mel Gabardo

Quando passam no vestibular, meninos raspam suas cabeças, meninas mudam o corte ou ficam loiras – um ritual de passagem pra vida adulta no Brasil, eu diria. Nossa tribo tem suas próprias tradições.

Mas em algum momento fazemos mudanças só depois da aprovação alheia. Seja lá o que aconteça em nossa estrutura biológica e molecular, mas a opinião dos outros passa a importar mais do que nossa.

Marias para INK Models n' Arts (17)

Foto Mel Gabardo

Antes da adolescência tanto faz se usamos um tênis de cada cor, com luzes que acendem ao pisar no chão. Se acordamos com vontade de ser princesa, existe uma coroa na caixa de brinquedos. Se queremos o poder dos mestres do rock n’ roll, fingimos saber tocar guitarra, e temos plateia – mesmo que imaginária.

A inocência de não saber o que os outros pensam talvez se transforme em uma vontade súbita de agradar e ser aceito. Só que essa inocência, ou um não se importar, permanece lá no fundo, pra ser acessada quando preciso.

Que outubro permita ao meu eu de cabelos multicoloridos e sem dentes ficar feliz com as mudanças de uma Hell adulta, ou quase. Aproveite esse mês pra lembrar da falta de regras da sua indumentária de criança. Se divirta um pouco mais com as suas roupas!

Marias para INK Models n' Arts (13)

Foto Mel Gabardo

As fotos

A produção é com as gêmeas Victória e Clara Bueno, agenciadas da Ink Models n’ Arts, fiz a produção de moda levando em conta o estilo pessoal de cada uma, já muito marcante desde a infância – veja bem!

As fotos são de Mel Gabardo, com produção executiva de Victor Rodder, styling por mim, e beleza da Vivian Reimann. O tratamento de imagem é de Jéssica Prado Schianti.

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O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.
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