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Esquadrão Suicida e a perda de Harley Quinn

Escrito por em 3 de agosto de 2016

Ontem acompanhei a pré estreia nacional de Esquadrão Suicida no Cinépolis Vip, do Pátio Batel em Curitiba. A versão 4D, com direito a aromas, chiliques na poltrona e jatos de ar que acompanham a velocidade dos tiros, são uma diversão à parte. A estreia oficial acontece no dia 04 de agosto, amanhã, então se prepare.

Já sabemos que Esquadrão Suicida não está aqui para fazer pensar, para nos presentear com um roteiro que seja comentado por gerações ou com uma fotografia digna de Oscar. É um filme para ver explosões, tiros, Will Smith e Viola Davis (MA-RA-VI-LHO-SA). Mas não se compara Wesley Safadão a Mozart, tampouco Esquadrão Suicida a Godard. É um desses filmes que era pra ser ruim desde sempre, e conseguiu ficar ainda pior. Palmas – não. Na tentativa de apresentar muitos personagens, David Ayer acaba por apresentar nenhum. As falhas de diálogo são constantes, e as tentativas de humor quase desesperadoras. A gente ri de nervoso, não de graça.

Sou otimista e consigo encontrar alguns pontos positivos. A trilha sonora reuniu grandes sucessos, foi quase uma mixtape de hits. Desde de Creedence Clearwater Revival a Twenty One Pilots, para até uma pontinha de Queen. E já está disponível no Spotify. A má colocação das músicas e os problemas de montagem, não vou comentar.

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A trama passa no Teste de Bechdel, com ao menos três atrizes com nomes, histórias e fala. Viola Davis é Amanda Waller, e disparadamente a melhor interpretação do filme, que fez milagres com o retrato caricato de uma mulher no comando. Karen Fukuhara é Katana, uma especialista em espadas que lutava contra a máfia japonesa. Cara Delevingne aparece como June Moone / Magia, a grande vilã da trama. Que não foi muito grande. Vamos apenas dizer que ela é uma ótima modelo. E finalmente, a mais esperada por mim, Drª F. Harleen Quinzel / Arlequina, interpretada por Margot Robbie.

Agora vamos problematizar, porque estamos aqui pra isso.

Harley Quinn é louca, mas não é boba

Harley Quinn tem praticamente minha idade. Apareceu pela primeira vez no Universo DC em 1992, e agora, com seus vinte e tantos anos, chega aos cinemas. A primeira retratação cinematográfica da personagem, me causa estranhamento e um pouco de desconforto. Sua loucura foi infantilizada, e seu relacionamento com Coringa, romantizado.

Não me leve a mal. Arlequina é, e deve ser, engraçada. Sua fantasia, que se perde no filme, aparecendo por poucos segundos e nunca sendo usada, é o retrato do arlequim na commedia dell’arte. Personagem que fazia rir nos intervalos, com suas peripécias e brincadeiras. Harley Quinn faz rir.

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Se é que é possível, consegue ser mais sexualizada que nos quadrinhos ou na série animada – difícil, mas conseguiram. Encurtadas mais que nunca, as roupas de Harley se perdem um pouco das cores originais, que são muito representativas. Vermelho e preto, paixão, desejo e a falta de cor.

O que mais me distraiu foi sua camiseta com os dizeres “Daddy’s lil monster”. Transformar mulheres adultas na filhinha do papai, infantilizada e indefesa é um dos artifícios mais sintomáticos da indústria pornô. É vender o feminino como criança. É problemático e mais insano que o próprio Coringa.  No entanto, vamos deixar o fetiche dos nerds para outra ocasião.

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Uma introdução bem superficial é feita de como Harleen Frances Quinzel se torna Arlequina. Em sua concepção original, Harleen era uma talentosa ginasta, por suas habilidades ganha uma bolsa de estudos para medicina. Se torna psiquiatra no  Asilo Arkham, onde conhece Coringa, que no processo contrário a manipula, mexe com sua cabeça e a torna obsessiva. Ao ponto de fazê-la roubar uma fantasia de bobo-da-côrte, invadir o asilo e o resgatar dali.

O que não aparece é todo o trato psicológico envolvido. Coringa e Arlequina são dois personagens emblemáticos. Harley se encanta pela história vitimizada que Coringa a conta, dizendo ter tido uma infância difícil. Como sua psiquiatra, ela tenta curá-lo, mas se envolve em sua história e, consequentemente, em sua loucura.

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“Meu pudim é meio rude às vezes… mas ele me ama, de verdade”

Ela é distratada e expulsa da gangue de Coringa, é agredida, e jogada por ele no mesmo balde de químicos que alterou a aparência do “companheiro”. Harley tenta se livrar do relacionamento por diversas vezes, mas sempre acaba voltando, tendo sua existência atrelada a Coringa por forças psicológicas que vão além de sua independência.

Não, não é fofo. Embora Arlequina se refira ao par romântico como “litte puddin”, não há nada doce por aqui. Ignorar tal roteiro e profundidade dos personagens é irresponsável. Harley Quinn se perdeu em Esquadrão Suicida, talvez em um dos milhares closes da bunda de Margot Robbie.

Mas aí você me pergunta: e o Coringa? Teve tanto auê, teve tanta badalação. Mudou maquiagem, Jared Leto, la la la. Olha, também estou procurando. Cadê?

 

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O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.
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