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Conheça algumas lendas feministas do nosso folclore

Escrito por Coletivo Elas por Elas em 23 de julho de 2016

Muitos pesquisadores criticam os contos de fadas por serem machistas. Afinal, as princesas são sempre bonitas e acabam ficando com os príncipes encantados no final. As únicas histórias deste tipo que foram contadas pela Disney, e que não são machistas, chamam-se “Frozen” e “Mulan”.

Na primeira, a princesa Elsa faz de tudo para livrar sua irmã Anna das garras de um príncipe gigolô. Sem falar que ela foge para seu próprio mundo “gelado” por causa do feitiço que transforma tudo em gelo, e, também para se livrar da hipocrisia que é viver em sociedade. Em “Frozen”, o mais importante não é a espera de um príncipe encantado, mas sim o amor de Elsa pela sua irmã.

Já em “Mulan”, a princesa chinesa é corajosa e chega a se vestir de homem para defender o seu reino, o que nos faz lembrar de mulheres reais como Joana d’Arc, “soldada” Maria Quitéria e Anita Garibaldi.

Mas, nas lendas tradicionais, as personagens feministas se destacam, como são os casos de: Iara, Cuca, Mãe do Ouro e Loira Fantasma. Aqui, analisaremos cada uma delas.

Iara

Iara, ou Mãe da Água, é uma lenda indígena. Seu nome significa, em tupi-guarani, “aquela que vive nas águas”. Dizem que Iara era uma linda índia, que possuía só irmãos homens. Por ser muito inteligente, seu pai manifestou o desejo de deixar a liderança da tribo com ela, caso morresse. Seus irmãos, muito machistas, não aceitaram esta ideia e correram atrás da pobre, que ao fugir se afogou num rio. Então, peixes encantados cuidaram de seu corpo ferido e ela se transformou numa sereia, que tem como principal alimento carne de homem. Por isto, ela seduz os rapazes com seu canto.

Mãe do Ouro

A lenda da Mãe do Ouro fala sobre violência doméstica e passa a mensagem de que os agressores devem ser castigados. Há muitos anos existia em Portugal uma jovem rica chamada Maria. Ela foi seduzida por Pedro, que pediu para que esta moça colocasse todo o seu tesouro num baú e fugisse com ele para o Brasil. Quando os dois desembarcaram em terras tupiniquins, casaram-se. Porém, alguns dias depois do matrimônio, Pedro matou a esposa e a enterrou dentro de uma caverna, onde havia escondido o seu tesouro.

Na noite seguinte, Henrique, um jovem pobre, andava perto da região da caverna. Quando, de repente, avistou uma bola de fogo dourada e começou a segui-la até o local. Chegando lá, o moço descobriu o tesouro e ficou rico. Numa outra noite, esta moça voltou com o seu formato de bola de fogo, foi até a casa onde estava seu ex-marido e queimou a residência com o seu ex-companheiro junto.

Naquela mesma vila, Maria descobriu que Dalva era maltratada pelo seu marido, Eusébio. Então, numa noite de lua cheia, o espírito de Maria entrou no mesmo bordel que o marido de Dalva frequentava, seduziu este homem e convenceu o rapaz a ir até a sua caverna. Chegando ao local, Maria o matou. Assim, a partir daquela noite, esta moça passou a perseguir todos os homens que maltratam as suas esposas. Dizem que esta assombração existe até hoje, indicando cavernas onde há jazidas de ouros para os pobres e castigando os maridos maus. Seu apelido popular é Mãe do Ouro.

Cuca

Há uma lenda medieval portuguesa que diz que a Cuca era uma bruxa, que foi morta por um santo. Porém, virou um dragão com cabelos coloridos e cara de jacaré. Na verdade, a palavra bruxa significa moça sábia em sânscrito. Portanto, muitas mulheres que conheciam os segredos da magia natural e da cura através de ervas foram queimadas na fogueira naquela época. O causo da Cuca foi trazido para o Brasil através dos imigrantes portugueses. Reza a lenda que esta criatura castiga crianças que não obedecem as suas mães, e também maridos que batem em suas esposas.

Loira Fantasma

Muita gente não sabe, mas a origem deste causo está no Brasil-Colônia. Naquela época não existiam táxis e nem ônibus. Mas havia as carroças de aluguel que eram puxadas por cocheiros.

Reza a lenda que, naquele tempo, uma loira pegou carona com um destes carroceiros que estuprou e matou a pobre. Depois daquele dia, sua alma voltou para se vingar pedindo carona aos cocheiros e matando todos eles de susto. O tempo passou e os cocheiros foram substituídos por taxistas nesta história.

Agora que você já conhece algumas lendas feministas do nosso folclore, que tal contá-las para as meninas de sua família?

Texto: Luciana do Rocio Mallon
Editora da coluna: Andrea Mayumi

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