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Prazer, eu sou a Mariana. E você?

Escrito por em 23 de março de 2017

Talvez você já me conheça. Talvez não. Mas não é do prazer de me apresentar que me refiro. Estou falando do prazer de ser eu, Mariana. Prazer de estar na minha pele, na minha vida, prazer de saber o que me faz gozar!

Quanta auto-estima, não? Mas não foi sempre que esse prazer todo me habitou. É coisa recente… Pra te situar um pouco no tempo, hoje faz exatos 6 meses que saí do meu último emprego. Sinto que é um bom momento para compartilhar com você por onde o leito do meu rio anda fluindo.

Sai do meu emprego para o NADA. Literalmente. Nada em vista. Precisava de um tempo em branco, pela primeira vez na minha vida, eu não tinha planos. Ao fazer o meu mergulho existencial e deixar que vida fosse me levando pelos caminhos mais fluidos do encontro comigo, cheguei no lugar do meu feminino. Ele andava meio endurecido, confesso. O feminino havia se tornado aquele lugar da mulher idealizada. Arapuca mais do que sorrateira dos tempos contemporâneos. O meu feminino estava aprisionado no lugar da moça bela, da moça bem-sucedida, da moça poderosa, da moça que tem controle de tudo. Eu estava paralisada ali. Qualquer movimento poderia significar a queda da torre de babel da mulher-modelo-de-sucesso. Sustentar tantas coisas pesadas era um exercício de resistência e imobilidade.

Quando passei ao status de desempregada, um bom pedaço da torre despencou. Eu já não era mais a mulher bem sucedida aos olhos da sociedade. Também não era poderosa. O que restava daquela Mariana que me identificava? Apenas um semblante bonitinho? Não, não podia ser. Entendi que naquele buraco escuro e vazio embalado de angústia poderia ter um conteúdo mais interessante do que apenas o lugar miserável do corpo desejável.

Voilà.

Cheguei à pergunta chave: o que me dá prazer genuíno na vida?

Cri. Cri. Cri.

Já sei! Viajar! Eu amo viajar! Quem não ama viajar, Mariana Stock? Resposta pronta, resposta genérica, resposta evasiva. Vamos tentar de novo.

O que te dá o prazer de estar viva, hein, hein, hein?

Não saber responder a essa pergunta me levou a um lugar ainda mais fundo do meu vazio. O que na minha vida eu estava fazendo por puro deleite e o que eu estava fazendo para sustentar uma imagem de mulher exitosa para a sociedade? A verdade é que lidar com tantos porquês sem respostas óbvias é um grande convite para a alienação. Já que eu não sei por que eu existo, eu me rendo ao sistema e corro atrás de me enquadrar nos modelos de sucesso existentes. Literalmente, me torno refém. Refém de um sistema binário. O que não é bonito, é feio. O que não é bem sucedido, é fracassado. O que não é sagrado, é profano. Não há intervalo entre uma coisa e outra, não há espaço para os modelos individuais de êxito. Ou é, ou não é.

Ow, lord. Que papo brabo, Mariana!

Calma. Vai melhorar. O sol há de raiar nessa prosa.

O calvário de me embrenhar nessas indagações todas foi pungente, não nego. Se eu não quero mais ser refém desse sistema perverso, a que eu quero pertencer? Quero pertencer a mim! Quero entrar em contato comigo, com meu corpo, com minha alma! E de novo, entrar em contato conosco não convém para a Matrix. No sistema binário, a DOR está para o sagrado, assim como o PRAZER está para o profano. Na sociedade judaico-cristã em que vivemos, a dor é legitimada como caminho de evolução. O prazer é apenas para aquele momento íntimo, dedicado ao outro, num quarto escuro. Quem tem muito prazer logo é acusado de hedonista, fã da putaria e perversão, nada dignos de consideração. Afinal, a gente precisa sofrer para aprender, não é?

NÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!! (leia alto e sonoro!)

Precisamos falar sobre prazer

É sobre isso que quero falar. Precisamos falar sobre prazer. Precisamos ter prazer. Precisamos gozar a vida, gozar o corpo, gozar livremente. E tem mais, não custa nada, tá aí disponível nesse seu corpão que é uma máquina incrível de sentir prazer. Apesar do sistema todo te fazer acreditar que o corpo é o instrumento da dor e da doença. Chega de crucificar Jesus, minha gente! Prazer é amor!

Quando a gente aprofunda o capítulo do prazer para as mulheres, vixe-maria-creo-en-diós-pai. Tá puxado! Não fomos educadas para sermos sujeitos desejantes, mas sim sujeitos desejados. Aprendemos a esculpir o corpo na academia, mas não aprendemos a nos tocar. Aprendemos a fingir que gozamos para agradar o outro, mas não aprendemos o que nos regozija. Aprendemos a fazer cara de safada entre quatro paredes, mas não aprendemos o que de fato nos torna libertas e libertinas. Apesar de ter usado o pronome NÓS, toda essa reflexão aqui é auto-referente, longe de mim querer julgar outras mulheres. Mas, não vai me impressionar em nada se você se identificar com algumas dessas prisões.

Foram seis meses nessa viagem questionadora e libertadora. Mergulhei na análise, no estudo da psicanálise e da sociopsicologia. Fui estudar a maternidade, o parto humanizado e a sociedade doentia e medicalizada em que vivemos. Descobri o Tantra e os caminhos do orgasmo feminino. Me meti no universo das artes, da música e da beleza original. Beleza que é fluida, leve, divertida. Me percebi vivendo o hoje, sentindo o prazer do meu corpo, sendo feliz sem consumir.

Essa será minha bandeira daqui pra frente!

Quero trabalhar pelo empoderamento do prazer das mulheres.

Vou apertar esse botão quantas vezes forem necessárias para subverter o sistema vigente da dor.

Está só começando!

Estou criando um espaço chamado PRAZERELAS somente para falarmos sobre o prazer feminino. Em março vou dar uma oficina sobre como podemos nos empoderar do nosso prazer próprio.

Vem comigo?

https://www.facebook.com/prazerelas/

https://www.instagram.com/prazerelas/

postado por

Mariana no RG, Miri na vida. Miri de miríades. Muitas em uma só. Publicitária de formação. Feminista e vegetariana por filosofia. Sociopsicóloga e quase psicanalista por vocação. Terapeuta tântrica por paixão. Trabalhei por 10 anos no mundo corporativo. Conquistei emprego dos sonhos, carro do ano, casamento perfeito. Tinha tudo, mas não tinha o prazer de ser eu. Me separei, me demiti, me reencontrei. Hoje estudo o prazer feminino e apoio mulheres a se empoderarem pelo caminho do prazer. Prazer das nossas escolhas, do nosso corpo, da nossa alma. Prazer de ser mulher. Prazer, eu sou a Miri.
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