Criança engravida do estuprador: Tristeza e impotência sem fim⁠⁠⁠⁠

Moda e Empoderamento no Shopping Crystal

Mulher, o que te dá prazer? Workshop de Empoderamento pelo Prazer com Mariana Stock

Escrito por Hellen Albuquerque em 15 de março de 2017

Mariana Stock era publicitária em uma grande empresa de cosméticos, casada, morando em uma capital, dirigindo o carro do ano… Como todas as grandes mudanças, o descontentamento começou pequeno, porém latente. Não demorou para que ela abrisse mão desse modelo de sucesso – que nos é propagado goela a baixo – para buscar qual seria sua real felicidade.

Conheci Mari antes de a ver pessoalmente, sua irmã, Juliana, já havia falado dela para mim. Foi certeira! Assim que nos encontramos numa conversa do dia 08 de março no Shopping Crystal, trocamos um abraço e nossas experiências.

Em seu workshop de Empoderamento pelo Prazer, que teve a primeira edição aqui em Curitiba e logo vai para São Paulo, nos questionamos sobre todos os modelos aos quais estamos tão habituadas.

A fórmula padrão nós bem conhecemos, a felicidade está num copo de cerveja, nas compras em um shopping, nas grandes casas e modernos carros. O consumo seria o caminho para o prazer. E encontramos, sim, tal prazer, por momentos rápidos. Quase flashes, observados em nossos cotidianos ocupados, quando pouco pensamos e muito fazemos.

Mariana Stock nos convida a viver uma vida mais prazerosa. Foto: Bruno Santos

Mari, foi conhecer o mundo para se conhecer. Se deparando com os contrastes, se desidentificou com os papéis que exercia. Afinal, quando dedicamos tantas horas por dia a um trabalho, é inevitável que ele se torne um traço forte da nossa identidade.

Depois de oito meses trocando de países e continentes, se dedicou em outra oportunidade a caminhar por dez dias o caminho de Santiago em Portugal. Lá, com toda a vida levada por uma mochila nas costas, decidiu que era momento de mudar. De volta para casa, buscou reativar sua sensibilidade. Dançou, escreveu, desenhou. Quebrou os vícios da rotina. Abandonou as obrigações da racionalidade. Abriu mão também, do conforto que encontramos em seguir um modelo, em reproduzir um padrão.

Hoje, a busca é pelo prazer. Para isso, um mergulho no feminino. Uma nova conexão com o próprio corpo.  O caminho foi o tantra, uma prática de reeducação sensorial, que hoje ela estuda profundamente para logo se tornar terapeuta e encaminhar mais mulheres para essa trilha de auto descobertas. Através de seu projeto PrazerElas, partilha informação, histórias e nos convida a nossas próprias buscas.

Para falar de prazer, precisamos falar de dor

Mariana faz um resgate a nossa compreensão sobre dor e prazer. Numa associação livre, fica fácil encontrar nossos descontamentos, tão conhecidos e comuns. Mas e pra encontrar o deleite? O regozijo? A satisfação?

Socialmente, a dor é legitimada e até sagrada. Aquele que sofre, batalha, sangra, recebe o mérito de santo. Enquanto nosso prazer é empurrado para um canto escuro do quarto. É profano, perverso. E nós, que o buscamos, somos putas – sempre putas.

O encontro com nosso prazer nos coloca de frente aos vários tabus que são reproduzidos, e essa foi a postura de Mariana durante as duas horas que eu, ela e as outras vinte mulheres passamos juntas.  Buscar para além do conforto o que nos faz completas e felizes. Assusta. Constrange.

“Nascemos sendo prazer” – Mariana Stock Foto: Bruno Santos

O prazer é independente

Numa simplicidade arrebatadora, Mariana nos criou um espaço em que medo fica pra fora – deixado esquecido lá na caixa de spam do seu e-mail -, nada de vergonha, censura, ou homem. Sem homem a gente evita de louça suja a julgamento, sempre ótimo.

É nessa hora que o feminismo se faz tão necessário, como em tantas outras.

“O prazer inicial é de se ter um corpo”, Mari nos diz. Todas as suas possibilidades, sensações e descobertas. Os calafrios, o calor, o riso e o orgasmo. “Nascemos sendo prazer. O prazer em se alimentar, evacuar, do colo quentinho, da descoberta de nossos próprios dedos”, ela fala.

Ao longo da vida, cada regra e modelo de ser, vai inserindo um tijolo na parede de tabus. Tabus que nos impedem de acessar nosso gozo.

O corpo nos é desconhecido. Como mulheres, somos proibidas de explorá-lo livremente. Nessa condição ignorada, acaba por ser dominado. Pela mídia, pelos padrões, pelos quereres alheios. Uma opressão constante, cerceada por justificativas racionais, que julgam e imperam em nossas escolhas.

Nossa carcaça é biológica, com a função de reproduzir. Já o prazer, para que serve se não a nós mesmas? Quando não é produto, nem de serventia pública, o prazer feminino não convém.

Esquecemos do clitóris. Esse botão de flor que estende por toda nossa pélvis e é o órgão mais especializado, com oito mil células, todas dedicadas a … fazer sentir prazer. Na cultura da penetração, a satisfação sexual só acontece com o falo. “Freud prega que passamos toda a vida sentindo falta desse preenchimento fálico. Uma ova!”, ri Mariana, levando todas nós a rirmos junto.

“Se toque, menina!” Foto: Bruno Santos

Conheça seu corpo

“Se toque, menina!”, ela convida. Você tem todo o prazer que precisa na ponta dos dedos – e pra quantas metáforas isso serve, não é?!

Ao encontrar esse lugar de prazer independente, nos fazemos livres de amarras sociais.

Para tanto, o diálogo é essencial. Com as amigas, conhecidas, primas e todas as outras mulheres que nos perpassam. Essencial como essa vivência breve que tivemos ao lado de Mariana, com trocas de olhares cúmplices e risadas compreensivas.

Resta esperar por mais encontros como esse. Para não perder o próximo, acompanha a Mari no @prazerelas.

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O nome é Hellen, mas pode chamar de Hell. Jornalista, feminista e contraditória, tenho como combustíveis o café, poesia e boas gargalhadas. Minha relação com a escrita é a mais longa que já tive, mas vivo em flerte com a moda. Sou aficionada por histórias, portanto é fácil me encontrar em um brechó, as buscando nas roupas; em um sebo, perdida nas páginas dos livros; ou observando tudo que há a volta – cuidado para não trombar comigo! Acredito na beleza como um sentimento e na moda como uma expressão cultural.
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